Altares de Adoração

Por Nelsinho [Nelson Muzel Neto]

A música faz parte da minha vida desde o meu nascimento. Cresci vendo o meu grande mestre, meu pai, vencendo barreiras e introduzindo música contemporânea dentro da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) e desde muito cedo já me deparava com as dificuldades que havia para que o sentido de louvor como momento de adoração fosse inserido na mente tradicional deste grupo de pessoas.

Porém, isso tudo só se tornou um ministério para mim há 11 anos, quando num culto em um acampamento da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, em Boston, Deus colocou no meu coração o chamado para ser um instrumento para a realização desta Obra e, desde então, tenho presenciado coisas maravilhosas no meio da congregação e tenho visto o poder que há na música e como o Senhor utiliza tudo isso para tocar corações, causar uma grande restauração no caráter das pessoas e aproximá-las cada vez mais dEle.

Hoje, percebo que a sede e a busca por um avivamento têm sido realidade em algumas igrejas presbiterianas e confesso que meu coração se enche de alegria em perceber que, cada vez mais, jovens, adultos e crianças, através do louvor e de cânticos espirituais, têm aberto as portas da intimidade com Cristo, arrependendo-se de seus pecados, tomado posse do amor do Pai e, assim, produzindo um novo estilo de vida e sendo despenseiros da glória de Deus.

Quando vejo isso, logo me vem à mente: “será que falta muito para que sejamos como eram os crentes da igreja primitiva? Quando será que teremos tudo em comum, louvaremos a Deus e Ele acrescentará dia a dia os que serão salvos?” De uma coisa eu estou certo: para que isso aconteça, precisamos perseverar na comunhão e na doutrina dos apóstolos, caso contrário, passaremos por mais um momento de euforia espiritual que não resultará em transformação genuína.

Digo isso, pois ao longo dos anos como ministro de louvor, presenciei momentos incríveis em que fui tocado pelo poder do Espirito Santo e vivi o sobrenatural de uma forma muito clara, porém, quando isso passava, eu me perguntava: “Onde está Deus? Por que Ele não fala mais comigo? Onde estou pecando?”, e confesso que algumas vezes tentei reproduzir aqueles momentos com minhas próprias forças e digo que foi um desastre! Foi quando percebi o grande perigo em que estava me envolvendo colocando as experiências espirituais acima do próprio Deus e que se não houvesse aquilo, não era espiritual ou então, Deus não estava ali.

Vi que não podia manipular o sobrenatural e que embora Ele prove ser, por diversas vezes, o Deus que se auto-revelou, reserva-se no direito de permanecer em silêncio. Na história de Abraão, durante sua longa jornada em Canaã, houve extensos períodos de silêncio, porém, que eram rompidos por uma aparição de Deus e Abraão construia um altar para comemorar a visita do Senhor (Gn 12.7). Assim, vejo que quando isso acontece conosco, devemos aproveitar esses momentos e construir nossos altares de adoração para que seja um novo “marco zero” em nossas vidas e que, assim, nossa caminhada seja a partir daquele momento.

Nossa caminhada de fé deve continuar mesmo quando a onda do Espírito está na maré baixa. Mesmo na ausência de uma época de renovação, Deus ministra poderosamente a seu povo.

Embora não possamos produzir reavivamento por nossos próprios esforços, podemos imitar a busca por Deus que vemos na igreja primitiva. Podemos orar com freqüência, encher-nos da Palavra de Deus, que é a fonte de toda revelação dEle, dar aos pobres e construir relacionamentos fortes de mutualidade. Se desta forma, vivermos nossa adoração diariamente, podemos esperar a maravilhosa presença de Deus no nosso meio e, assim, mesmo em períodos de silêncio e desertos espirituais, poderemos ver a mão poderosa do Senhor e sentirmos que Ele está do nosso lado, trabalhando em nossas vidas.

Gostaria de encerrar este texto com um trecho de Jonathan Edwards, um pregador que liderou o grande reavivamento na Nova Inglaterra na década de 1730.

Ele nos adverte quanto a um fato muito interessamte:

“A base para o verdadeiro deleite que um cristão autêntico tem está em Deus e em sua perfeição. Seu prazer está em Cristo e em sua beleza. Deus se mostra como Ele realmente é (…) Quando alguns crentes congratulam-se apenas a si mesmos, eles mantêm seus olhos somente sobre si. Tendo recebido o que chamam de descobertas ou experiências espirituais, suas mentes passam a se interessar somente por si mesmas e pela admiração de suas experiências. Estão basicamente entusiasmados não pela glória de Deus ou pela beleza de Cristo, mas pela alegria de suas experiências. Ficam pensando: “Que experiência maravilhosa essa! Que grande descoberta fizemos! Que coisa maravilhosa descobrimos!”. Assim, colocam suas experiências no lugar de Cristo e de sua beleza e suficiência plena. Em vez de se regozijar em Jesus, perdem-se em suas maravilhosas experiências pessoais. Ficam tão presos à sua imaginação no que se refere a essas grandes e extraordinárias experiências que toda a sua noção de Deus diz respeito somente a eles mesmos.”

Que Deus abençoe e guarde você em sua jornada de santificação, porque Deus é quem efetua tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo, preservando a palavra da vida (Fp 2.13-16).

 

Grande abraço,

Nelson Müzel

4 Respostas to “Altares de Adoração”

  1. Mari Gualano Says:

    Buscar o Senhor deve ser nossa comida e bebida, deve ser a razão da nossa vida. Nós só conseguimos alcançar o verdadeira avivamento a partir do momento que deixarmos de focar nossos olhos nas coisas dessa terra e passarmos a focar no alto. Já dizia a palavra: “Se a nossa esperança em Jesus se limite a essa terra somos os mais infelizes de todos os homens”.

    Fiquem com Ele.

  2. Says:

    Quando a “maré do espírito está baixa”, é aí que a fé se desenvolve, quando não podemos ver, mas podemos/temos que crer.
    Que Deus nos ajude a crermos quando não podemos ver o que Ele está fazendo!
    Grande abraço!

  3. Andrea Moraes Says:

    Amém, Nelsinho! Que o Senhor nos ensine nesta caminhada, tão simples, mas que a gente se complica tanto no caminho.
    Obrigada pelo encorajamento!
    Abração

  4. Priscyla Paraskevopoulos Says:

    Olá Nelson,
    Assim como a reflexão da Mari, achei maravilhosa a sua também.
    Também tenho em minha vida como expressão do meu amor… o louvor.
    E é interessante como nos desesperamos quando há o silêncio do Senhor, a ponto de acharmos que estamos cometendo algum pecado.
    Creio que isso seja resultado da vontade extrema e constante, abundante, de ter o Senhor sempre, em todo momento conosco! E por desejar isso, é difícil em alguns momentos compreendermos, ou até aceitarmos, que não estamos em pecado, mas que o silêncio do Senhor se faz em presente.
    Creio que quando isso acontece, somos como uma criança que anseia, olha, busca no pai, a direção e o ensino constante. E é por isso que a graça do Senhor, em nós, Suas crianças, opera e nos leva adiante.
    Que nosso Paizinho continue te abençoando, te usando e derramando graça na sua vida.

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