Para dentro e para fora

Publicado no boletim IPVM de 6/12/09 por Rev. Cícero Brasil Ferraz

Deus nos chamou (para dentro do corpo) para nos expulsar para fora (dentro do mundo) para testemunhar o seu nome a um mundo caído e carente de Deus. Muitas de nossas igrejas funcionam como clubes privados, feitos em benefício de seus membros enquanto o Novo Testamento apresenta o modelo de uma igreja cujas atividades existem, principalmente, em benefício dos de fora.

O que nos impede de nos tornarmos a igreja que Deus projetou? Tenho assistido vez por outra um mesmo modelo se repetir: uma igreja começa com altos ideais, gera um turbilhão de atividades e aos poucos modera sua visão, acomodando-se com algo muito inferior ao ideal. Quando eu ficava do lado de fora da igreja, olhando para dentro, encontrava muito para criticar. Mas, uma vez dentro, percebi a dificuldade que é sustentar qualquer coisa parecida com a visão neotestamentária do que deve ser a igreja.

Agora que “dou a minha parcela de contribuição” com as falhas da igreja sou muito mais tolerante com ela. A igreja “frustra-nos até a santidade, ao anunciar uma perspectiva brilhante e, então, nos convidar a participar de uma realidade opaca” (Richard Rohr). Todos somos chamados para fazer a obra do ministério. Mas, a não ser que entendamos a natureza do desafio – os “perigos ocupacionais” do ministério – nós, que estamos na igreja, inevitavelmente nos retrairemos às trincheiras, restringindo a escala de nossa missão de maneira a servimos a nós mesmos e não ao mundo. Ao fazermos isso, tornamo-nos exatamente como todas as outras instituições humanas, e o chamado singular da igreja se desvanea.

Geralmente, quando nos embrenhamos no ministério, há entre nós em “equilíbrio precário” entre a hipersensibilidade e o calo emocional. Alguns permanecem tão hipersensíveis para com a dor que os cerca que acabam sucumbindo àquela dor.

Outros desenvolvem uma “calosidade” que torna o ministério igual a qualquer outro trabalho: Sempre com muito trabalho e pouca recompensa. Infelizmente, nenhum dos dois dura muito tempo imerso na obra do Senhor.

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